segunda-feira, setembro 06, 2004

O NOSSO HOMEM EM FRANÇA



DBH
O NOSSO HOMEM EM ITÁLIA



DBH
Santos da Casa

O João e o Francisco já referiram a dificuldade que a esquerda tem para lidar, democraticamente, com críticas estruturais vindas de dentro. Nós também temos que conviver com o Freitas mas, convenhamos, as críticas aos métodos e aos dogmas por parte da Zita Seabra e do António Barreto são bem mais demolidoras e "food for thought" que os esporádicos acessos de oportunismo do Professor.

Ah, já agora, não vale assobiar para o lado e tresler o que não nos convém.

FA
UM DOS DELES, DIZ ELE

JPP que me desculpe, mas não há como não responder a este post delirante do Daniel Oliveira.
O desplante é de tal magnitude que, calando, consente-se.
Só mesmo um militante do Bloco de Esquerda é que teria a lata de sacudir a água do capote e afirmar que o escritor e jornalista Raúl Rivero é um dos "seus" porque "luta pela dignidade", esquecendo que foi o socialismo revolucionário (does it ring a bell?) que mandou Rivero e centenas de outros para a prisão. A distinção higiénica entre teoria e prática é mais do que enviesada, é pura propaganda.
Verdadeiramente fascinante (e revelador do mais impenitente contorcionismo político) é a tentativa de apropriação da causa cubana pelo dirigente de um partido que faz parte do único grupo parlamentar europeu que vota sistematicamente contra as resoluções do Parlamento sobre Cuba.
Se esta preocupação fosse para levar a sério, o partido do Daniel teria que escolher melhor as companhias...
É que os deles são esses. O resto é conversa.


MONOLOGO DEL CULPABLE
La letra de la ley sobre la protección de la independencia nacional y la economía de Cuba les permite a las autoridades de mi país condenarme por el único acto soberano que he realizado desde que tengo uso de razón: escribir sin mandato.
El camino que inicié hace unos pocos años con la ruptura total con los medios de prensa y cultura del gobierno me ha ido convirtiendo en un ser humano distinto, alguien que se ha liberado por cuenta propia, alguien que en un entorno amenazado y hostil pudo empezar el viaje hacia la libertad individual.
Los miedos, las prisiones, el acoso sólo han servido para darle más valor a esos hallazgos. Han contribuido a que mi devoción por la soberanía del hombre sea ahora un instinto indomable, mucho más que una noción y una necesidad.
De modo que una disposición redactada con la tinta perecedera de las trampas políticas, envuelta en una maniobra chapucera para hacer aparecer a un pequeño grupo de periodistas que trabajamos en Cuba como aliados de narcotraficantes y proxenetas y mercenarios a sueldo de Estados Unidos, me produce sólo un variado cóctel de repugnancia.
Los años de cárcel que la ley promete con generosidad, por encima al temor del encierro y el castigo, hay que verlos con consternación. Es presentar a la nación cubana como una tribu enquistada en el Caribe, clausurada para la información y el debate de las ideas, ajena a la evolución y al cambio.
Para el brazo en alto de esta nueva ley, así como para los insultos de los oscuros funcionarios del periodismo oficial, las llamadas amenazadoras a mi casa, para el sobresalto de cada día yo tengo --me doy cuenta cuando me quedo solo con mi máquina-- el regocijo de saberme libre. La certeza de que informar con objetividad y profesionalismo y escribir mi opinión sobre la sociedad en que vivo no puede ser un delito muy grave.
Me cuesta mucho trabajo sentirme culpable. Es casi como si se me acusara de respirar o se me anunciara una eventual prisión por amar a mis hijas, a mi madre, a mi mujer, a mi hermano y a mis amigos.
No puedo asumirme como un delincuente por contar con precisión el drama de más de 300 prisioneros políticos o por informar que se derrumbó un edificio en La Habana Vieja o por publicar una entrevista con un cubano que quiere para su país una sociedad plural y plena de libertad de expresión.
Nadie, ninguna ley podrá hacerme asumir una mentalidad de gángster o de delincuente porque reporte el arresto de un opositor o dé a conocer los precios de los productos básicos de alimentación en Cuba, o redacte una nota donde diga que me parece un desastre que más de 20 mil cubanos se vayan cada año al exilio, a Estados Unidos, y otros centenares estén tratando de quedarse en cualquier parte.
Nadie me hace sentir como un criminal, un agente enemigo ni como un apátrida ni como ninguna de esas necedades que el gobierno usa para degradar y humillar. Soy sólo un hombre que escribe. Y escribe en el país donde nació, y donde nacieron sus bisabuelos.

Raul Rivero
JV

OLHA QUEM FALA

Esta criatura apelidou de "ridículo" o Governo. Presumo então que seja apoiante.



FMS
PARABÉNS



Pelas vossas "Portas da Esperança".
DBH

sexta-feira, setembro 03, 2004

Cobardia

Qualquer terrorista é cobarde. Sem desculpa ou atenuante. Qualquer justificação para o terrorismo é vã. Sem excepção ou reserva. Qualquer apologia de um acto terrorista é ofensiva. Sem sentido ou decência.

FA
O MOFO

4.2.17.3. a base teórica, o marxismo-leninismo, concepção materialista e dialéctica do mundo, instrumento científico de análise da realidade, guia para a acção, ideologia crítica e transformadora, sistema aberto, contrário à dogmatização bem como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais, que, em ligação com a vida, constantemente se enriquece e se renova;

4.2.17.4. a estrutura orgânica e princípios de funcionamento que assentam no desenvolvimento criativo do centralismo democrático, de que são características básicas uma profunda democracia interna, uma única orientação geral e uma única direcção central;
(excerto das teses propostas para o congresso do PCP)
JV
A prisão, o cão, o ter e o não ter

Veio de longe um barco. Sem convite. Sem condições. Com muito pêlo na venta, especialista em provocações. Coloca-se a questão do que fazer perante o golpe publicitário. Impôr a vontade do Estado? Ceder perante a pressão? Dialogar no balanço das ondas? Sob pena de ser acusado de fraqueza, o Governo adopta uma posição robusta. Demais para alguns. Aquém do desejado para outros. Procura-se o diálogo mas rapidamente o mundo percebe que não foi afinal para isso que o barco cá veio. Fica satisfeito o Governo por ter mantido a ordem. É para isso que serve. Ficam satisfeitos os agitadores por terem aberto todos os telejornais. Foi para isso que o esquema foi montado. Fica confuso o país ao ver, mais uma vez, o debate sobre um tema sério feito refém de quem não é sério, não quer debater e muito menos procura consensos.

Amanhã o barco parte. Para outro destino aonde tão pouco será bem vindo. É que lá os agitadores também gostam de aparecer na televisão.

FA
SUNNY DAYS ARE OVER
(ou Como estamos preocupados com a possibilidade de deixar de controlar a organização que juramos que nunca controlámos)
3.5.14. Resultante da grande pressão ideológica, forças e sensibilidades político-ideológicas, designadamente reformistas e ex-esquerdistas, que se reviam e participam no projecto colectivo e unitário na CGTP-IN, têm vindo a evoluir para concepções e posições que, a serem concretizadas no plano do funcionamento e composição das estruturas de Direcção do movimento sindical nos seus diversos níveis, conduziriam ao desvirtuamento e desagregação do que constitui a obra mais criativa dos trabalhadores portugueses, o movimento sindical unitário, consubstanciado na CGTP-IN, um projecto de classe, de unidade e autonomia.
(excerto das teses propostas para o congresso do PCP)
JV

quinta-feira, setembro 02, 2004

POIS OLHE, ESTE NÃO.

No meio de tanta coisa fútil e desinteressante, é bom encontrar na net alguma informação verdadeiramente importante.

FMS
OS DEMOCRÁTICOS



«PP prá fogueira»
«Morte aos fascistas»
«Aborto livre já»
«Hipocrisia»
«Abortem o fascismo»

(inscrições na sede do CDS)

JV
MITOLOGIA?




Mas qual mitologia

JV
IGNORANCE IS BLISS

A propósito do post anterior do FA, era bom que lêssemos o artigo de Daniel Wolf na última Spectator, porque a ubiquidade iconográfica de Che parte, antes de mais, da ignorância em torno do que ele foi e do que ele representou.

"Che is complete as a symbol, a void into which people can pour their yearnings for a more adventurous, a more rebellious life. But how many of those with his picture on their chest could tell you three facts about him? "

FMS
Vender Mitos



O bloguista “demasiado telhudo para voltar atrás nas decisões” volta à carga com mais um dos seus vaticínios acutilantes desta feita sobre o fim do sonho americano, a vitória da Europa e a queda do liberalismo – não necessariamente por esta ordem e sem se perceber muito bem a ligação lógica entre esses factos.

Mas o que mais surpreende neste post, para alem da insustentável argumentação anti-americanista primaria, é a crítica aos liberais por "acreditarem e venderem mitos porque lhes convém". Sim porque a extrema-esquerda nunca vendeu, vende ou venderá mitos. De facto, com especialistas em mitologia não me atrevo a discutir.

FA
TRÊS PRÍNCIPES AO INÍCIO DA TARDE - IL GATTOPARDO

(Para quem não se interessa passar à frente, para quem não foi ver ficar com inveja)



Nota distribuida na Cinemateca, para a exibição da versão italiana de 185 minutos. Resta agora sonhar com a versão integral de 205 min., que ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1963:

"(...) O que aconteceu foi que Goffredo Lombardo, o produtor, quando soube o que Il Gattopardo iria custar (cerca de seis milhões de dólares) estremeceu. (...)Procurou, então, capitais americanos e interessou a Fox no filme de Visconti. A Fox concordou mas pôs condições: o papel principal devia caber a um actor americano, ou de língua inglesa (e que falaria inglês), a côr devia ser DeLuxe e não Technicolor, o formato o vulgar scope e não o peculiar Technirama, e a duração do filme não podia exceder as três horas.

De tudo isso, Visconti só aceitou o actor, tanto mais que, desde o início, pensava em Marlon Brando ou em Laurence Olivier. A Fox vetou Brando e as companhias de seguros pediram muito por Olivier, que estava gravemente doente. Foi-se para segunda escolha. A Fox propôs Spencer Tracy, Anthony Quinn e BURT LENCASTER. Com surpresa de muita gente, Visconti optou pelo último, à época considerado como especialista de papeis de duro ou de bandido. Quanto à língua, chegou-se a um compromisso: as cenas em que BURT LENCASTER entrava eram faladas em inglês, todas as outras em italiano e, posteriormente, dobradas. Côr, formato e duração ficavam para decisão final.



O resultado foi que a Fox cortou 1 hora à versão original, reproduziu o Technicolor em DeLuxe e alargou o formato. Visconti protestou (em carta publicada no "Times") dizendo que "a versão americana foi feita sem a minha supervisão. Na minha opinião, foi barbaramente remontada e cortada e pior dobrada, com vozes mal escolhidas e totalmente desapropriadas".(...) Resultado de tudo isto: houve dois filmes: o italiano - o único que Visconti reconheceu - e o americano, que circulou nos países de língua inglesa ou dominados pela distribuição americana, como era já o caso de Portugal.

(continua)
João Bénard da Costa



Chevalley - "se gli uomini onesti si ritirano, la strada rimarrà libera alla gente senza scrupoli e senza prospettive, ai Sedàra; e tutto sarà di nuovo come prima, per altri secoli. Ascolti la sua coscienza, principe, e non le orgogliose verità che ha detto. Collabori."

DBH




quarta-feira, setembro 01, 2004

A TERRA DO NUNCA

O Daniel não se conforma. Enerva-se. Abespinha-se. Ulcera-se. E não é que Zita Seabra já não propagandeia a posição cavernícola dos tempos da escola comum? E não é que, de repente, resolveu ponderar outros valores? E não é que entendeu considerar circense um número de circo? Compreende-se a estupefacção e a revolta.
Davam jeito mais uns quantos Ches Guevara. Calhava que não se crescesse. Sobretudo, que os porta-vozes cristalizassem. Que ficassem agrilhoados aos pregões de forma intemporal e recorrente. Que vivessem condenados a recapitular disparates até ao fim dos tempos. Por mais criminosos que sejam. Sem direito a arrependimento. Nem remissão. Nem nada.
Mudar? Pois, claro. "Muitas Vezes". Mas só na forma.
Ainda que se camufle sob nomes ilusivos, esta esquerda "Peter Pan" não existe fora da Terra do Nunca onde tudo tem que estar na mesma. A aparente juventude e a risível "modernidade" das suas causas e posições escondem o ferrete dessa "maldição". Uma existência ancilosada fundada na negação do óbvio, no ressuscitar ínvio de leis falsas e no desgastar vindicativo, metódico, paulatino, das estruturas verdadeiras do mundo real. Objectivo: destruir. Solver mais do que resolver. Sem alternativas sérias. Nem projectos credíveis. Nem propostas verosímeis. Nunca esta esquerda foi tão imobilista. E inconformada. E derrotada.


JV

A PROPÓSITO

Há aí alguém que explique às meninas que Paulo Portas e Helena Lopes da Costa não são do mesmo partido?

JV


Much Ado About Nothing

Segundo consta, a associação Women on Waves está no meio de um imbróglio jurídico com o governo Holandês que obriga a embarcação a permanecer, por razões de saúde pública, num raio de 25km de um hospital Holandês no caso de pretender efectuar abortos “on the waves”.

A eventual realização de qualquer intervenção médica desse tipo violaria assim não só a lei Portuguesa (aplicável enquanto a embarcação estiver em àguas nacionais) mas também determinações do governo Holandês (aplicáveis quando a embarcação estiver em àguas internacionais).

Fica não só demonstrado o caracter espúrio desta viagem como a atitude de perfeito desrespeito perante os varios ordenamentos jurídicos quando estes não nos agradam.

FA
Diccionário

historiador – adj. e s. m., 1. Que ou aquele que escreve sobre história; 2. Narrador de acontecimentos, que conta histórias.

O Fernando Rosas pertence, seguramente, à segunda categoria.

FA
O NQDI ERROU

O animal referido no post anterior contactou-nos a fim de esclarecer que não compareceu de livre vontade na manifestação referida, tendo sido arrastado para o efeito.
Fica feita a rectificação.

JV
É CURIOSO

Sempre tão ufanos no brandir de números de adesões a manifs, manifestos, petições e quejandos, os barnabaicos desta vida esqueceram-se de relatar a adesão esmagadora (11 pessoas e um cão) a este evento.
Bem vistas as coisas, não é nada de novo. A especialidade da extrema-esquerda sempre foi fingir que representa o povo sem lhe passar cartão.

JV

terça-feira, agosto 31, 2004

O CAMINHO PARA A SOFREGUIDÃO

Dois dos membros mais destacados do clube liberal da direita blogosférica estão a conquistar território e a espalhar tanta, tanta, mas tanta informação, que não sei se aguento.

Visitem o

Hayek Links do Miguel Noronha

e o

Why There Is No Such Thing As An Austrian School Of Economics do Manuel Pinheiro

FMS
DOR DE COTOVELO

As reacções ao artigo de Zita Seabra mostram o quão facilmente a compostura democrática dos rebanhos desliza para a verve inquisitória típica dos puristas e dos idiotas em geral. Basta que um dos "nossos" esqueça por momentos a cartilha maternal para logo ser apodado de traidor, vendido ou, na melhor das hipóteses, desprovido de inteligência. Isto, que, como sabem os que menos esperanças têm na natureza humana, acontece a qualquer um, tem-se verificado, porém, mais à esquerda do que à direita. É que não é fácil ver partir Hitchens, Pacheco Pereira, Amis, Aron, Orwell, Benny Morris, entre outros, e receber em troca apenas o oportunismo do Prof. Freitas. Convinhamos que é de uma desigualdade obscena. Por isso é que quantos mais são os que abandonam o barco, mais de esquerda ficam os que permanecem.

FMS
AMANHÃ ÀS 15H30, MAS PORQUÊ, DEUS MEU, ÀS 15H30?



Se estás de férias, se tens almoços longos, se o teu patrão ou patroa já não te veêm desde antes das férias, se ainda não tiraste férias, se estás desempregado, se não te importas de ir parar ao desemprego, se tens quem fique com a criança, se és uma criança, se não te importas que te trate por tu, se já não vais a manifs de sms, se gostas da Claudia Cardinale a fazer beicinho ou se gostas de homens fardados, se quiseres ir ver um dos melhores filmes de um dos melhores livros:

Passa amanhã, às 15h30, o filme Il Gattopardo de Luchino Visconti, na sala Dr. Félix Ribeiro da Cinamateca. Ah, é em italiano mas não faz mal, tem legendas em espanhol.

DBH


- Diz lá, Francisco, o que queres ser quando cresceres?

JV
CORTAR NA CASACA

Visivelmente amofinado com a publicação do artigo de Zita Seabra sobre o Aborto, o Daniel Oliveira resolveu chamar-lhe vira-casacas.
No que toca à forma mais ou menos convencional de envergar estas peças de roupa, é sempre estimulante ver uma pessoa a quem o muro de Berlim caiu em cima a assobiar para o lado e a apontar o dedo ao avesso do parceiro...
Seja pelo que for, o facto é que o Daniel se viu na necessidade de teorizar abundantemente acerca da medida e do ponto exactos em que as mudanças de opinião são aceitáveis. Desengane-se quem pensar que se limitou à construção conceptual, abstendo-se acepticamente de contaminação pelo objecto de estudo. Não. A sua comovente generosidade levou-o a admitir que até já mudou "muitas vezes de opinião".
Discordo dele, mais uma vez.
Mas não discuto com especialistas.

JV

segunda-feira, agosto 30, 2004

ENTÃO, PÁ, SE ME FIZESSES O FAVOR DE OS IRES LÁ BUSCAR, AGRADECIA-TE IMENSO



FMS
ANDAM A COMER MUITO QUEIJO, NÃO É?

"(...)[I]l s'agit de groupes ou de mouvements qui, au nom d'un islam intégriste, mènent une guerre idéologique contre la démocratie (...)"

"Cette guerre que mène le terrorisme se réclamant de l'islam concerne, nous le savons depuis le premier jour, toutes les démocraties. Personne n'est à l'abri, aucune diplomatie ne peut prétendre constituer une quelconque ligne Maginot qui nous protégerait mieux que nos voisins espagnols ou italiens de la volonté de mort qui est à l'œuvre depuis les attaques du 11 septembre 2001. On touche là aux limites de l'antiaméricanisme qui semble trop souvent tenir lieu de politique étrangère française."


FMS




O secretário-geral da JS, Pedro Nuno Santos, disse à TSF que vai «disponibilizar um barco para que as mulheres que tenham intenção de visitar a embarcação das 'Women on Waves' o possam fazer».

JV
METERAM-SE COM A FAMÍLIA ERRADA

Eu e a minha irmã mais nova, que alinha em muitos dos disparates do Bloco, preguiçávamos ontem na praia quando ela recebeu uma sms convocando-a para a manifestação "espontânea" à frente do Ministério da Defesa e implorando-lhe que ajudasse a Women on Waves. Atónita, levantou a cabeça, leu a mensagem e apagou-a no instante seguinte, retomando a dormência do momento. Porque a minha irmã faltou à concentração não sei. Pode ter sido da envolvência ou dos trezentos quilómetros que nos separavam de Lisboa. Mas eu quero acreditar que foi por temor reverencial.

FMS
CHAMEM A POLÍCIA...



Manuel Alegre diz que há clientelismo no PS, Soares diz que lhe disseram que lhe vão roubar votos, Alegre diz que a candidatura de Sócrates já estava planeada, Soares diz que Almeida Santos é "O Padrinho" do PS... Sócrates diz que vai levar esse mesmo PS ao poder.

Pergunto: Com corrupção, roubos, associação secreta e padrinhos, não seria melhor levar antes o PS à PJ?

DBH


O candidato à liderança do PS João Soares fez na noite de anteontem, em Coimbra, uma crítica violenta ao presidente do partido, Almeida Santos, chegando a acusá-lo de "ser o padrinho do desgoverno do PS".

JV
TARDE PIASTE


No DN de hoje encontramos um poeta Alegre espantado, iracundo, quase incrédulo, declarando que «se o presidente de uma comissão política concelhia é, por acaso, presidente da câmara ou vereador, em terras pequenas isso gera uma rede clientelar e as pessoas têm medo de que os filhos não vão para a câmara, ou que não dêem empregos aos afilhados, ou de qualquer coisa do género. Não quero um PS assim!». É espantoso como, em trinta anos de militância e direcção, nunca desconfiou de nada.
- Manuel, se me está a ler, aqui fica o recado: não existe outro PS.
Cumprimentos

JV

domingo, agosto 29, 2004

HOMEM DE POUCA GRAÇA



O Pedro Oliveira , no seu post "Homem de pouca Fé", resolveu zurzir o Ministro da Defesa porque este (alegadamente) não confiou (exclusivamente?) na protecção de Nossa Senhora para impedir que Rebecca e as amigas fizessem a apologia do aborto em águas nacionais.

Sem inovar no recurso aos rudimentos da cartilha anticlerical, o Pedro invoca e parodia a Fé dos outros, demonstrando desconhecer duas máximas:

1.ª - "Faz como se tudo dependesse de ti e reza como se tudo dependesse de Deus";

2.ª - "Dá o seu a seu dono".

É que o verdadeiro autor desta gracinha sobre Fátima é o ilustre causídico António Marinho (e Pinto) - especialista, em geral- que não mereceu sequer uma nota de rodapé no post galhofeiro.
Não é só o Barnabé que tem acesso à SIC Notícias.

JV

P.S.: Lembro-me do documentário sobre a ida desta organização filantrópica à Polónia. Sobretudo de umas declarações da polaca que atendia os telefonemas das mulheres interessadas em abortar. Qualquer coisa do género: "Não percebo por que há tanta controvérsia a este respeito. São células. Também cortamos as unhas e o cabelo e não há problema nenhum.".
SHOW ME DA'MONEY!

Se eu pudesse ganhar 20€ por cada vez que um dirigente do BE diz "silêncio ensurdecedor", já tinha comprado Hay-on-Wye.

DBH

sábado, agosto 28, 2004

O REBOCADOR



O Barco do aborto está ao largo. Cheio de provocações e intenções. Está longe da Lei, referendada, da Justiça.

Por cá, à beira d'água, os radicais rebocam os moderados para o alto-mar, para onde se pode praticar o que é um crime neste país.

Por cá, nas capelinhas do costume, gritam-se os insultos do costume, o Daniel já entoa o Hino do Duran, o Louçã continua a gritar fascista.

Como evento, ou pseudo-evento, não está mal. Como debate, que se anunciou, nunca irá a lado nenhum.

DBH
DESCUBRA AS DIFERENÇAS



O Daniel alega ainda que a extrema-direita está no poder em Portugal.
Discordo mais uma vez. É óbvio que não está.
Ainda que estivesse, por que razão é que isso haveria de o incomodar?
Os métodos da (dita) extrema-direita são iguaizinhos aos da extrema-esquerda.

JV
OS GESTOS AUTOMÁTICOS DE UM GRANDE CONNAISSEUR



O Daniel Oliveira diz que Paulo Portas é um ditador.
Eu discordo.
Mas não discuto com especialistas.

JV

sexta-feira, agosto 27, 2004

ESTE BLOGGER também DAVA UM BLOG


Adivinhem qual de nós faz anos hoje.

JV

P.S.: Parabéns!
ESTA FRASE DAVA UM BLOG

"The challenge of modern freedom, or the combination of isolation and freedom which confronts you, is to make yourself up. The danger is that you emerge from the process as a not-entirely-human creature."

Saul Bellow, Ravelstein

FMS
Come on you Blues! (er... which ones?)

OK Francisco. Vamos embora! Eu arranjo os bilhetes.

FA

(PS - num computador novo ainda 'a procura dos acentos)

quinta-feira, agosto 26, 2004

SETEMBRO, 29. STAMFORD BRIDGE. LONDRES

Como é que é, Fernando? Vamos à bola?

FMS
"In a world of pretense, a pretender is the best thing you can be".



Agora que o moleskine está a chegar ao fim do Casablanca, sugiro o meu filme preferido do Bogart: The Barefoot Contessa.

Tal como Casablaca, não tem um fim feliz. Tem um começo infeliz. E passamos toda uma história a tentar esquecer que já sabemos que ainda vai acabar mal.

"Life, every now and then, behaves as though it had seen too many bad movies, when everything fits too well - the beginning, the middle, the end - from fade-in to fade-out."

DBH
COMMING HOME


Muitos anos depois, há coisas que não mudam. Ou que, não podendo voltar a ser o que eram, não deixam de ser o que sempre foram.

DBH
O GRUPO DA VIEIRA

Abalançam-se amanhã rumo a Santiago alguns dos amigos que me são mais queridos. Como os blogs também servem para isto, aqui fica o desejo de que o caminho lhes seja leve e a experiência muito frutífera. A melhor sorte para os sete caminhantes.

JV

quarta-feira, agosto 25, 2004


... da era pós-moderna.
Mais um contributo.
JV
(EX)CITAÇÕES PARLAMENTARES I
Alyssandrakis (GUE/NGL). – (EL) Senhor Presidente, tenho de felicitar os organizadores do debate de hoje pela sua capacidade inventiva. Não tendo conseguido encontrar qualquer outra desculpa para regurgitar as suas calúnias contra o povo cubano, lembraram-se do aniversário das sentenças dos tribunais que condenaram os agentes do imperialismo americano e decidiram celebrá-lo. Por muito que ataquem a Cuba socialista, meus caros colegas, não podem negar que a Cuba é efectivamente o único país livre do continente americano, o único país onde as pessoas tomam o poder nas suas próprias mãos. É por isso que sofreu a exclusão, ameaças e a invasão. É por isso que os Estados Unidos da América e a União Europeia querem reverter a revolução cubana.
22 de Abril de 2004

JV

P.S.: Adivinhem quais são os dois partidos portugueses de extrema-esquerda que fazem parte do grupo político deste iluminado.


CHICKS ON WAVES - As Bocas da Reacção

Tenho por hábito não reagir a ataques que acertam ao lado. Esta triste figura só obtém resposta porque estava-se mesmo a ver que o meu post "Chicks on Waves" iria acicatar os preconceitos de alguns lunáticos que a blogosfera acolhe. Fica, assim, como uma espécie de disclaimer, de explicação para futuras invectivas, que até tenho vergonha de escrever.

Quanto à alegada "mistura da temática do aborto com a da prostituição", só um cérebro corroído até à mínima proporção por ideias pré-concebidas é que não é capaz de ver que a brincadeira se dirige, não às mulheres que abortam, mas sim ao feminismo bacoco com que alguns discutem o assunto e que é muitas vezes o principal obstáculo a que esses alguns sejam levados a sério. É, por assim dizer, uma peça de agit prop, de machismo irónico reactivo, só para épater la bourgeoisie. Mais nada. Também temos direito, não?

Já quanto às acusações de que não tive piada e de que considero a luxúria a razão de todos os males modernos, aí, perante tal vileza, cumpre-me responder o seguinte: primeiro, acho que tive muita piada, que a ideia é genial e que a concretização também; segundo, a mim ninguém me dá lições de luxúria e hedonismo, principalmente um moralistóide sem sentido de humor e cuja relação mais próxima que algum dia teve com a decadência deve muito bem ter sido a leitura do Dorian Gray em cuecas.

(E agora não me venham com mais tretas do "É isto a direita arejada?" e com comparações ao César das Neves por causa de uma referência jocosa a um escritor gay. Não venham, porque nisto de gostar de Oscar Wilde não há ninguém que me ganhe. A não ser, como é sabido, o próprio).

FMS
(O) SER BENFIQUISTA


Devido à generosidade de um amigo, dei ontem por mim num cenário improvável e numa situação praticamente impossível. Estive no estádio do Anderlecht a puxar pelo Benfica.
Para desenjoar do mar encarnado que enchia o sector do estádio em que me encontrava, lá fui descobrindo umas quantas camisolas do Sporting e do Porto.
Apesar da minha manifesta incapacidade de galvanização com assuntos futeboleiros, confesso que fiquei triste com a humilhação sofrida pelo clube da roda da bicicleta (nunca percebi por que razão é que só se fala da águia). Fiquei com a impressão que o resultado podia ter sido diferente se cada jogador tivesse visto (e ouvido) de perto os emigrantes que tinham feito centenas e mesmo milhares de quilómetros só para os ver jogar. Querer e garra tiveram eles. E desilusão. Da próxima vez vão ser menos.

JV

terça-feira, agosto 24, 2004

"BLOGMAD LOVE"

A Ana Sá Lopes escreve a melhor definição de um grave problema. Pena é a sua solução:

"O “blogless love” que tanto invoquei tornou-se um “blogmad love”. Passou a ler-me. Eu julgava que escreveria melhor, enganei-me. O "blogmad love" passa os dias à procura de paralelismos infundados e adultera o sentido de tudo o que aqui se escreve, inclusive o que não tem sentido. A escrita e o amor são duas meias-verdades inconciliáveis. Há que fazer opções: não escrevo mais."

DBH
ALEXANDRE SOARES SILVA



Roga-se o favor de ler com sofreguidão isto, isto, isto e, depois, tudo isto.

FMS
CHICKS ON WAVES

"Barco do Amor" chega a Portugal no Domingo
Terça-feira, 24 de Agosto de 2004

Os homens portugueses que quiserem praticar sexo extra-conjugal e sem compromissos adjacentes terão a partir da próxima semana à sua disposição, ao largo da costa, um bordel flutuante holandês. Auxílio a quem precisa de ajuda ou "operação para ganhar dinheiro"? As opiniões dividem-se.

Por Francisco Mendes da Silva*

Um barco da organização holandesa Chicks on Waves (COW), que presta serviços sexuais gratuitos a homens dos 18 aos 88 anos, vai chegar no Domingo a Portugal. Até 12 de Setembro, o bordel flutuante presta informação e aconselhamento sobre como melhor explorar o apetite sexual.

Mas o serviço que tornou este barco famoso é a possibilidade de os homens casados viajarem para águas internacionais e se dedicarem ao prazer com estranhas fora do âmbito territorial de aplicação da lei restritiva, neste caso a portuguesa, que ainda considera a fidelidade um dever fundamental dos cônjuges e a sua violação culposa causa para requerer o divórcio.

O anúncio da viagem a Portugal foi feito ontem, na Holanda. A COW vem a convite de quatro organizações portuguesas que defendem a remoção do dever de fidelidade do Código Civil: União de Homens Alternativa e Resposta (UHAR), Acção Jovem para a Cama, Não te Prives e Clube Já Tou Safo. Estes movimentos disponibilizam sobretudo apoio logístico, incluindo a cedência de 20 das 50 voluntárias que vão participar na operação.

O barco, que desta vez é o "Deepthroat", partiu ontem do porto holandês de Den Helder e chegará no Domingo à costa portuguesa. Ficará ancorado em local ainda por revelar. Os homens interessados em entrar a bordo poderão contactar a COW através de uma linha telefónica e de um "e-mail" a disponibilizar dentro de dias.

*Com Agência Tusa

FMS

GOL na própria baliza

Na sua encarnação Acidental, o Diogo diz que:
"Quase todas as candidaturas (socialistas) já indicaram as personalidades que querem propôr para o poder. Falta saber quem querem para grão-mestre do GOL.".
Mas não costuma ser ao contrário?!

JV
VIDIGUEIRA 2016

O Movimento Olímpico Pós-Moderno inaugurado ali em baixo já começa a crescer, com o Eduardo a contribuir com ideias perfeitamente válidas para a renovação dos Jogos, que se pretendem cada vez mais variados e integradores dos hábitos desportivos de todas as nações participantes.

FMS

segunda-feira, agosto 23, 2004

OS JOGOS OLÍMPICOS DA ERA PÓS-MODERNA

Seria bom que a prata de Obikuelu não nos desviasse do que é verdadeiramente essencial. O crónico fracasso português nos sucessivos Jogos Olímpicos deve-se exclusivamente à nossa impreparação cultural para as modalidades que lá se praticam. Modalidades essas que foram elevadas à categoria olímpica pelos países mais poderosos do xadrez internacional, o que se traduz sempre nos números de presenças no pódio. Quando Portugal for uma grande potência mundial, também traremos para casa centenas de medalhas, porque aí dos Jogos farão parte os desportos em que somos verdadeiramente mestres: o lançamento do escarro, a condução contra a mão em auto-estrada, o toca e foge, o bate e foge, o apetrechamento piroso de automóveis (vulgo "tuning"), o halterocopismo, as provas de velocidade na ingestão de álcool, a piromania, o afogamento em praias não vigiadas, entre outros que o amável leitor fica, desde já, convidado a propôr através da morada conhecida:
oquintodosimperios@hotmail.com

Se algum dia estas aspirações se concretizarem, não esqueçam de homenagear quem primeiro lhes deu voz - este vosso amigo, um português não praticante.

FMS


domingo, agosto 22, 2004

O SEGREDO DO SEU SUCESSO



Grande parte do interesse do sucesso do "Pipi" passa por não sabermos quem o escreve. O seu sucesso deve-se, também, ao seu segredo. Que não é de Justiça, se não já todos sabíamos quem era o autor.

DBH

sexta-feira, agosto 20, 2004

AO CUIDADO DE DIOGO HENRIQUES, BLOGGER MUGE

Preocupado com a notícia de que havia mudanças aqui em casa fiz uma curta pausa no exílio voluntário e vim ver.
Como dizia o outro (entidade útil para quando não se sabe ou não se quer nomear o autor da frase), "foi a primeira vez que vi... e gosti!".
"Para melhor, está bem, está bem". Lá diz a música.
Passando ao adjectivo MIA que o meu amigo co-imperialista me colocou, gostaria de recordar que, chamando-me eu Vacas, o paradoxo é evidente.
Sim, sei que por enquanto estou MIA (missing in action) mas, Diogo Must U Get Excited about it?
O drama da vaca raptada é comovente.
Segunda-feira volto.

JV
"ALGUMA COISA TEM DE MUDAR..."

O NQDI mudou finalmente o "template". Uma mudança pequena, criteriosa, que aqui não somos de revoluções. Gostamos deste "template" simples, com mais de um ano de vida, e quase anacrónico.

Mas mudámos. Numa só frase: Alinhámos à direita. A apresentação e os "links" passaram para a dextra, como convém; Os "posts" passaram a estar alinhados, menos trapalhões.

Claro que não fizemos isto sozinhos, era necessário perceber alguma coisa de computadores. Tivemos uma "html angel" que nos ajudou. A ela ficamos muito obrigados!

A Gerência
AO CUIDADO DE JOÃO VACAS, BLOGGER MIA



"Swedish graffiti artists kidnapped a fiber-glass cow from the international art exhibit CowParade, held power drills to its head and threatened to "sacrifice" it unless the sculptures were declared "non-art."
A video sent to a newspaper showed the cow flanked by two masked, black-clad figures wielding power drills in front of a sign reading "Stockholm's Militant Graffiti Artists."

"We demand that the cows are declared non-art. Otherwise the hostage will be sacrificed," said a voice on the video. The group gave the organizers of the Stockholm exhibit till noon on Aug. 23 to comply with their demand.

The video was shown to police investigating the cow's disappearance last week from an island housing Stockholm's Modern Art Museum.

"We are very upset about the whole matter," said Helena Cederberg, a spokeswoman for CowParade, which is touted as "the world's largest public art event."


Notícia Reuters, via Pura Goiaba.
DBH

PUBLICIDADE ENGANOSA

Diz o Rui Tavares esperar que o afastamento de Figo da selecção seja breve, mesmo sabendo que o que o que o senhor quer é furtar-se às chatices da qualificação para o Mundial de 2006 e depois, se lhe apetecer ou for conveniente para a Nike, para a Guess ou para o Paulo China, jogar na fase final. Eu não me importo que o Rui goste do Figo. Mas isso de se dizer de esquerda e deixar-se levar assim pelos tenebrosos caminhos do capitalismo selvagem é que já me parece publicidade enganosa.

FMS
Haggling With Tom (er… not Casablanca)

Nick the Greek : What else does it come with?
Tom : It comes with a gold-plated Rolls Royce, as long as you pay for it.
Nick the Greek : Dunno. Seems expensive.
Tom : Seems? Well, this seems to be a complete waste of my time. That, my friend, is 900 nicker in any store you're lucky enough to find one in. And you're haggling over 200 pound? What school of finance did you come from Nick? It's a deal, it's a steal, it's the Sale of the fucking Century! In fact, fuck it Nick, I think I'll keep it!
Nick the Greek : Alright alright, keep your Alans on!

(Lock, Stock and Two Smoking Barrels)

FA
O ABRUPTO FEITO PELOS SEUS ELEITORES

Gostava de saber o que pensa Pacheco Pereira do interesse que os media tradicionais devotam ciclicamente ao seu Abrupto. Não tenho por Pacheco os sentimentos contraditórios dos muitos que o aplaudem quando defende os americanos para logo o deplorarem pelas suas habituais vergastadas no Governo.

Gosto de Pacheco. Gosto do desassombro, da independência, da erudição e do ecletismo, mesmo sabendo que muitas vezes usa da palavra por ressentimento (contra Santana, por exemplo) ou para manter uma conta-corrente com alguns ódios de estimação (Paulo Portas é o mais óbvio). Já o invejei de morte, inclusivamente, pelos anos que passou entre Bruxelas e Estrasburgo, mais concretamente entre a Waterstone's e a Kléber. E atribuo-lhe um papel fundamental - quase único - na denúncia do enviezamento e de outras incompetências do jornalismo actual.

Daí, precisamente, achar estranho que Pacheco, o nosso mais militante combatente contra as manipulações jornalísticas, nunca se tenha manifestado a propósito das vezes que ele próprio é manipulado a favor das verdades oficiais, nomeadamente a propósito do facto de o Abrupto só receber honras de alinhamento de Telejornal e capa do Público quando nele se escrevem notas anti-PSD e nunca, por exemplo, quando são tomadas posições ao lado de Bush ou contra Louçã.

A versão corrente é a de que as opiniões de um membro importante de um determinado partido são importantes quando se demarcam daquelas que são as oficiais desse mesmo partido. É uma versão correcta. Mas até Pacheco Pereira aceitará que a sua situação está longe de se lhe subsumir. Por muito que custe a muito bom intelectual e a mim também (e este "e a mim também" é exclusivo e não inclusivo), nestas coisas a importância mede-se ao voto. Pelo que existem caciques no PSD bem mais "importantes" do que Pacheco. Não têm carreira académica e não têm blogs, mas representam um número bem maior de gente, o que é realmente fundamental para determinar possíveis evoluções estratégicas e até ideológicas do PSD ou do Governo.

A democracia é tramada, eu sei. Só que se o Abrupto fosse feito pelos seus eleitores, e não pelos seus leitores, há muito que tinha sido desactivado.

FMS

quinta-feira, agosto 19, 2004

CASA EM CONSTRUÇÃO

O João Moreira Pinto, que é um dos mais antigos e fiéis leitores do NQdI, está de partida para Timor. Vai como médico voluntário da AMI e disposto a contar-nos todas as suas impressões e emoções acerca da experiência naquele que será o primeiro blog umbiguista altruísta que conheço.

FMS
EM VEZ DE UM LAPHROAIG

Ao almoço, com dois "bloggers" e a secretária-geral (aka namorada) de um deles, comentámos a inveja que temos dos Wunderblogs. A nenhum de nós apetecia voltar ao trabalho e a tentação de pedir um whisky foi grande. Mas a responsabilidade (leia-se: falta de vontade de pedir a demissão)falou mais alto.

Por falar em responsabilidade: FMS, o link para os Wunderblogs já ali está, no lado esquerdo (indesculpável, eu sei). Agora podes visitar este teu blog mais vezes. E escrever, já agora...

Para quem ainda não sabe, como os leitores que cá aparecem à procura do último filme do Manoel de Olveira, eles são um grupo politicamente definido:
"A maioria de nós se sente confortável à direita de Milton Friedman, à esquerda de Joseph de Maistre e de qualquer lado de Scarlett Johansson."

DBH
EXCLUSÃO SOCIAL

Às 14:45 TMG o barril de crude em Nova Iorque seguia a valer 47,90 dólares depois de ter atingido o máximo de 48,20 dólares cerca de meia-hora antes.

Nunca conheci ninguém que tenha comprado um barril de petróleo. Conheço quem me diga que nunca pensou ver um barril a 48 dólares, mas eu nunca vi sequer um barril de petróleo

DBH
UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIOS.



Com este título, bem conseguido, o JL dedica seis páginas à forma como começam os grandes romances. A minha frase preferida é a que encima o post anterior. Só talvez a meio do romance, O Leopardo, se compreenda a pertinência e a permanência da última invocação da Avé Maria:"Agora e na hora da nossa morte. Amen".

Mas há mais, mesmo sem contar com os mais famosos Moby Dick e Don Quijote, frases que nos fazem entender num instante o ambiente do livro:

It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness
C. Dickens, Tale of two cities

I am living at the Villa Borghese. There is not a crumb of dirt anywhere nor a chair misplaced. We are alone here and we are dead.
H. Miller, Tropic of Cancer

I am always drawn back to the places where I have lived, the houses and their neighborhoods.
T. Capote, Breakfast at Tiffany's

Far out in the uncharted backwaters of the unfashionable end of the Western Spiral arm of the Galaxy lies a small unregarded yellow sun.
Douglas Adams, The Hitchhiker's Guide to the Galaxy

Aujourd' hui, maman est morte. Ou peut-etre hier, je ne sais pas- Albert Camus, L'Etranger

If you really want to hear about it, the first thing you'll probably want to know is where I was born, and what my lousy childhood was like, and how my parents were occupied and all before they had me, and all that David Copperfield kind of crap, but I don't feel like going into it, if you want to know the truth.
J.D. Salinger, The Catcher in the Rye

Bowing down in blind credulity, as is my custom, before mere authority and the tradition of the elders, superstitiously swallowing a story I could not test at the time by experiment or private judgment, I am firmly of the opinion that I was born on the 29th of May, 1874, on Campden Hill, Kensington
-Gilbert Keith Chesterton, Autobiography

DBH
Nunc et in hora mortis nostrae. Amen.



É assim, com o fim de uma oração que começa uma história. Ou acaba.

DBH


EX LIBRIS
(como dedicatória para a Maria)



Our life is bounded by two silences
the silence of stars and that of graves


Os ingleses chamam de "commonplace book" aos livros encadernados nos quais os aristocratas da Renascença guardavam as suas frases, citações ou pensamentos preferidos. Eram uma espécie de moleskine, ou mesmo de blog, para onde se copiava, ou apontava, o que se queria guardar.

A frase, em inglês, com que começa este post pertence a Thomas Carlyle. Está manuscrita no "commonplace book" de Giuseppe Tomasi, príncipe de Lampedusa.

DBH
O SAL DA TERRA



"All this shouldn't last; but it will, always; the human 'always,' of course, a century, two centuries... and after that it will be different but worse. We were the Leopards, the Lions; those who'll take our place will be little jackals, hyenas; and the whole lot of us Leopards, jackals, and sheep, we'll all go on thinking ourselves the salt of the earth."

DBH

quarta-feira, agosto 18, 2004

IL GATTOPARDO



«Bisogna sempre lasciare gli altri nei loro errori».

Nem sempre a heráldica serve apenas para ilustrar conversas tardias nos clubes do Chiado, pode explicar documentos históricos ou mesmo obras-primas da literatura europeia.

O Gattopardo não quer dizer, em italiano, Leopardo, mas antes o pequeno felíneo que os brasileiros chamam de Jaguatirica e Lineu chamou, em 1758 de Felis pardalis. Na língua italiana, leopardo escreve-se da mesma forma que em português, pelo o que o título poderia ser "Il Leopardo"...

No entanto, como se sabe, a personagem do Príncipe Fabrizio é inspirada na vida do bisavô do autor, o príncipe Giulo IV di Lampedusa, conhecido como Duca Santo, em cujo brasão aparece um leopardo.



Este símbolo herálico era chamado, em português de "leão Leopardado" ou "aleopardado", pois os reis-de-armas medievais confundiam os dois animais.

Era, no entanto, este animal chamado de "gatuppardu" no dialecto dos habitantes de Torreta, na Sicíia, onde vivia a famíla de Lampedusa. Isto explica a razão do título, que causou vários problemas aos tradutores do livro. Se em alemão e inglês se optou por "The Leopard" e "Der Leopard", em francês ficou "Le Guépard" (a Chita) e no holandês o "De Tijger Kat" (outro animal sul-americano, como o Jaguatirica mas de cauda comprida, em vez de luipaard )

DBH
THEY´RE BACK!



Já regressaram o FMS, aqui ao NQDI, o Eduardo e o PPM

AND SO ARE THEY!



O PAS e o MK voltaram a escrever.

DBH
(com nostalgia da guerra fria, depois de ter lido o editorial do Luís Osório hoje na Capital)
UM BLOG TAMBÉM SERVE PARA ISTO (explicação)



SMS recebida: "Está algum Santo para cair do altar? Tive direito a post público e tudo...!"

Explicação: Felizmente há muitos Santos que nunca subiram aos altares e, um post, lá por ser publicado não quer dizer que seja público...

DBH
INSOMNIA

Uma noite toda acordado, com saudades dos tempos em que os jogos olímpicos se realizavam noutros fusos horários em vez da teleshopping global.

DBH
O TREINADOR COMUNISTA

"Gigi continua sem perceber bem por que razão os dragões optaram pela via da rescisão, mas desconfia que os responsáveis azuis-e-brancos sentiram medo de cortar tanto com o passado recente e dourado que teve assinatura de José Mourinho."

FMS
HUGO BOSS

É bem provável que Hugo Chávez e respectivos capangas tenham cometido fraude eleitoral. Mas é igualmente provável que os venezuelanos tenham ficado com o que queriam. O poder ao povo é muito bonito. Só o povo é que não é bonito. E isso de bajular a sua infinita sabedoria é coisa de canhoto aluado. Se a Venezuela não divergir muito dos seus congéneres desta e de outras épocas, o seu povo é mais atraído pelo culto do chefe, pela autoridade do estado e pela igualdade na opressão do que pelas liberdades individuais. Chávez é isso mesmo, o símbolo desse populismo acintoso de esquerda, a face e a voz do ódio das massas aos ricos e, em geral, a todos os que se elevam da mediocridade e têm sucesso por si próprios. O que os venezuelanos escolheram foi a igualdade de todos. Ali quietinhos, debaixo do mesmo chicote.

FMS
A AUTOBIOGRAFIA DO LOUCO

A propósito da crise em Darfur, ouviram-se um pouco por toda a blogosfera os pedidos para que a História não se repetisse. Os artigos que, apesar das férias, consegui ler pareceram-me honestamente preocupados e amplamente fundados. E, já agora, levemente ingénuos na maneira como acreditam que o mundo se desenvolve continuamente em obediência a um plano de progresso infinito que um dia apresentará aos homens a fórmula racional para a sua salvação definitiva. É que a História tem por hábito ignorar tais clamores e também neste caso insistiu em repetir-se, oferecendo o espectáculo de massacres e perseguições visto já em outras ocasiões, demasiadas ocasiões - as suficientes para destruir a ilusão de que o Homem segue um argumento escrito e que o fim de todos os problemas humanos se aproxima à medida que crescem as faculdades de os compreender. Não há nenhuma direcção inexorável na História. É impossível descobrir-lhe uma estrutura racional ou discernir o seu propósito. E isso porque os homens agem em conformidade com os seus interesses contingentes e particulares, praticando as piores atrocidades, e só muito raramente de acordo com qualquer noção parecida com a justiça social. Quando confrontados com a dureza da realidade, com esta eterna sucessão de aprendizagem e colapso, uns dedicam-se ao cinismo e ao desespero, outros à obsessão por soluções genéricas e objectivos universais - soluções e objectivos os quais não serão jamais atingidos. A inevitabilidade histórica é uma noção inventada para entreter quem não aceita a probabilidade do conflito interminável. Ou seja, quem não aceita que o mundo é basicamente um manicómio incontrolável e que a História é como Herzen a disse: “a autobiografia do louco”.

FMS

terça-feira, agosto 17, 2004

El Presidente

Eu cá não sei, mas antes de endereçar (democraticamente) as minhas felicitações ao Presidente Hugo Chávez, gostava que me explicassem como é que ele ganhou quando as sondagens à boca das urnas davam 59% a favor do "sim". É cá uma dúvida que eu tenho que não fica nada esclarecida quando os observadores internacionais afinal não observaram nada já que não tiveram acesso às salas de escrutínio.

Mais, com relatos de votos comprados a US$50 e com milícias na rua a festejar a vitória disparando tiros contra apoiantes do "sim" custa-me dar graças às maravilhas do singular estilo democrático do Presidente Chávez.

O golpe falhado de Abril 2002 e a presente instabilidade do preço do petróleo aconselham cautela ao Presidente Chávez. A que preço e até quando e conseguirá ele manter o apoio dos habitantes dos "barrios" dos cerros de Caracas? Guerra civil agora ou para embrulhar para mais daqui a bocado?

FA
TRÊS QUILOS, QUATROCENTOS E SETENTA GRAMAS

Nasceu há pouco o Rodrigo, uma produção nada fictícia da Mónica e do Nuno Costa Santos. A criança está bem e a mãe também. O pai, ao telefone, é que parecia fora de si. Como se os My Bloody Valentine tivessem decidido regressar aos discos.

FMS

segunda-feira, agosto 16, 2004

Avenida Defensores de Chávez

Se o resultado das eleições presidenciais americanas de 2000 deram azo a tantas críticas e "mud-slinging" por parte da malta de Esquerda, será que temos carta branca para dizer mal do Presidente mais vermelhusco da América do Sul?

FA
LOVE IS

... Uncomplicated!?!

Gostei, mas ao menos com os poemas eu ainda teria hipótese de entender qualquer coisa. Um beijinho para a Sofia.

DBH
PS. Apesar da gracinha, não te livraste de escrever sobre o tema!
Love is…

O Diogo (que está quase a fazer anos) desafia-me a falar de amor mas proíbe-me de transcrever poemas. Então está bem:



Gostaste?

FA